Empresa familiar sem segredos

15/03/13 08:00
 
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Empresa familiar sem segredos

No Brasil, cerca de 90% das empresas são formadas por membros de uma mesma família. São negócios que começam pequenos e, graças a uma gestão bem feita dos fundadores, passam pela segunda, terceira e até quarta geração de profissionais. No entanto, nem tudo são flores. Trabalhar com pessoas com as quais já há uma ligação afetiva (e conhecimento prévio de suas capacidades) nem sempre é fácil, justamente devido aos laços sanguíneos, que pode fazer com que as pessoas se sirvam da empresa ao invés de servir à empresa.

Diante disso, apenas 15% destas famílias conseguem passar o patrimônio para a terceira geração.

No livro “Empresa familiar –Construindoequipes vencedoras na família empresária”, o especialista em desenvolvimento de projetos e negócios familiares Eduardo Najjar mostra que trabalhar com familiares pode ser, ao mesmo tempo, estimulante e desafiador, principalmente se não houver um modelo claro de como lidar com certas situações, tais como a afinidade entre pais-diretores e filhos-colaboradores ou a adequação das competências de cada profissional ao trabalho exigido dentro da empresa, entre outros. Essas e outras questões, que geram muitas dúvidas na hora de abrir um negócio familiar,são respondidas na entrevista a seguir.

Quais são os grandes desafios dos negócios familiares?

Os desafios da empresa familiar continuam sendo aqueles colocados frente ao seu crescimento e perpetuação: o desafio da viabilidade econômico-financeira; o desafio da sucessão; e o desafio da formação dos herdeiros para o papel de sócios.

Como lidar com as dúvidas que surgem na hora das decisões. É melhor privilegiar a empresa ou privilegiar os aspectos emocionais envolvidos em lidar com familiares?

Razão e emoção são aspectos que devem ser gerenciados com sabedoria pelos dirigentes da empresa familiar. Os membros da família empresária devem dedicar-se (e grande parte deles dedicam-se) com competência e prioridade à estratégia, ao branding, à operação de seus negócios. Não significa que todos os membros estão “condenados” a trabalhar nos negócios da família. Existem papéis diversos que podem ser desempenhados pelos familiares, de acordo com seus planos pessoais e expectativas profissionais.

Mas a família empresária também deve se posicionar quanto à sua relação com a arquitetura de seus negócios, frente aos cenários familiares. Na prática, seus membros devem discutir e decidir a respeito de duas perguntas: queremos colocar a família em 1º lugar, ou a empresa em 1º lugar?Queremos servir à empresa ou servir-nos da empresa?

Apenas 15% das famílias conseguem passar o patrimônio para a terceira geração. A que você atribui isso?

Essa estatística perversa deve-se ao conjunto de desafios que a empresa familiar deve sobrepujar em seu caminho para a perenidade de suas atividades. Entre eles, estão: sucessão, governança familiar, formação de novas lideranças, formação dos herdeiros para o papel de sócios/acionistas, aumento do número de membros da família (numa escala muito acima do crescimento dos resultados do negócio, no período).

Como lidar com a comunicação entre pessoas que vivem sob o mesmo teto e também nas salas da empresa?

As famílias, em geral, desenvolvem formas avançadas de comunicação entre seus membros. A sobrancelha direita que se eleva quando o pai concorda (ou não concorda) com alguma colocação dos filhos, é um exemplo. Esse tipo de comunicação não-verbal apoia a tendência de empobrecimento do processo de comunicação nas famílias em geral. Nas famílias empresárias esse fenômeno é agravado pelo fato de que esses e outros atributos empobrecedores do processo de comunicação são repetidos no ambiente dos negócios da família.

Como identificar, desenvolver e engajar novos líderes, substitutos e sucessores na família?

O processo de identificação e formação de novos líderes está diretamente relacionado com a sobrevivência e, portanto, com o futuro da empresa familiar. No entanto, é um processo de difícil execução pelas empresas familiares. Membros da família são levados aos cargos de liderança e, muitas vezes, mostram-se despreparados para ocupar esse lugar. Executivos não-familiares, em muitas ocasiões, sentem-se minados em seu desejo de escalar a pirâmide organizacional.

Você acredita que o futuro do país está pautado em empresas familiares?

Acredito que as empresas familiares continuarão desempenhando papel importante no mix econômico do país. Em países como a Itália, esse tipo de empresa é fundamental para a arquitetura econômica a ponto de existirem políticas públicas de incentivo à criação de empresas familiares.



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