Máquinas recolhem resíduos sólidos e trocam por benefícios

25/12/15 08:30
 
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Máquinas recolhem resíduos sólidos e trocam por benefícios

Quantas vezes você se recorda de ter dado aquela festança em casa e, na hora de recolher o lixo, se depara com uma infinidade de garrafas de plástico e latinhas de alumínio? Boa parte dos brasileiros opta por enviar estes resíduos ao lixo reciclável, mas outra alternativa que faz não só o bem para o próximo, como também para si mesmo, está revolucionando o jeito de reaproveitar estes materiais no país.
Trata-se da Retorna Machine, uma máquina com um tamanho aproximado de uma geladeira e que pode ser encontrada em estações de metrô, shoppings e locais públicos. Ela funciona da seguinte maneira: qualquer pessoa pode se cadastrar pelo site http://www.retornamachine.com.br/ ou pelo aplicativo da máquina. Após esta etapa, o participante pode usar a tela digital na máquina presencial para acessar sua conta e trocar até dez resíduos diariamente por pontos. Cada latinha vale 15 pontos e cada garrafa PET, 10 pontos. Quando acumulada uma determinada quantidade, é possível trocar esta pontuação por benefícios, como desconto na conta de luz e bilhetes de metrô.

A ideia veio dos amigos Maurício Zarzur, que é engenheiro, Christian Cury, administrador e Felipe Cury, advogado. Atualmente sócios, criaram a empresa Triciclo e investiram em Retorna Machines após uma ampla pesquisa e viagens à Ásia. Atualmente, o trio conseguiu trazer 23 máquinas e cinco delas já estão em funcionamento.

A Ticket e Gestão conversou com Felipe Cury para entender melhor o funcionamento da máquina e os planos de expansão do projeto:

Quais são os benefícios de quem usa as Retorna Machines?

São inúmeros. O usuário ajuda a si mesmo pois pode reduzir o lixo de casa, conseguir descontos na conta de luz com a Eletropaulo, bilhetes de metrô com a PLDevice e até pontos para o programa Saraiva Plus, da livraria homônima. Ajuda também o meio-ambiente, em breve estaremos adaptando as máquinas para receberem potes de margarina, xampu, entre outros resíduos que prejudicam uma coleta eficaz. E ajuda também ao próximo, o usuário pode doar, caso queira, os pontos para a instituição Casa do Zezinho.

Houve alguma dificuldade para implementar o projeto?

Devo confessar que sim. Primeiramente, tivemos a questão da importação. São altos custos, mesmo para um meio sustentável. Em segundo lugar, é difícil encontrar lugares que aceitem a instalação deste tipo de máquina, grande parte cobra aluguéis caros. Infelizmente, ao invés de nos compreenderem como um projeto autossustentável e socioeducativo, nos veem como mobiliário urbano. O que levamos de fato é uma prestação de serviço e comodidade para transeuntes. Por fim, diria que a terceira dificuldade se define em encontrar parceiros que nos auxiliem nesta empreitada.

Como são feitas as coletas de resíduos?

Elas funcionam com um mecanismo de controle em tempo real. Todas as máquinas são conectadas à internet e possuem capacidade para até 1.000 recipientes. Todos são depositados em um saco de lixo interno. Quando alcançam a marca de loteamento, as máquinas alertam à nossa central e designamos um time de operação para o recolhimento. Parte deste lixo é doado às cooperativas de coleta e o resto, é destinado às indústrias privadas. E para evitar vandalismo, a máquina não possui um compressor, evitando que pessoas coloquem outros dejetos e recipientes com pedrinhas para estragar o maquinário.

Quais são as próximas estações ou lugares além do metrô, que vocês pretendem colocar as máquinas?

Atualmente estamos em cinco locais: no Emporium São Paulo da Vila Conceição, nos shoppings Santa Cruz e Butantã, no Terminal Rodoviário Tietê e na Estação Sé do metrô. Esta última, inclusive, é a mais popular: em três horas, logo pela manhã, a Retorna Machine atinge a marca de 1.000 recipientes. E segundo uma pesquisa interna, 65% dos cadastrados utilizam ativamente as máquinas. Este sucesso tem sido gratificante, e temos mais máquinas que serão implementadas em breve. Estamos conversando com shoppings e um complexo empresarial de renome. Mas nossa pretensão é de que até a metade de 2016, tenhamos mais 15 máquinas em mercados, parques, universidades e aeroportos.



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