O novo cenário da franchising nacional

12/02/16 11:35
 
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O novo cenário da franchising nacional

O mercado de franchising vem se mostrando resiliente frente ao atual cenário brasileiro. Mesmo com quedas expressivas no varejo e no PIB de forma geral, o setor de franchising registrou crescimentos nominais de 7,7% em 2014 e 8,3% em 2015.

O Brasil comporta hoje mais de 138 mil unidades de franquia em operação, responsáveis por empregar quase 1,2 milhão de pessoas. Apenas em 2015, foram gerados mais de 90 mil postos de trabalho diretos. Logo, o franchising tem um peso relevante na economia nacional como um todo.

Recentemente a Associação Brasileira de Franchising - ABF divulgou os números do setor que ratificam a importância desta modalidade de negócios. Confira a entrevista do vice-presidente da entidade, Altino Cristofoletti ao Portal Ticket e Gestão.


Qual a importância das franquias no atual cenário econômico? Qual a vantagem em um empresário manter uma franquia em vez de uma marca própria?
A natureza colaborativa do franchising (a essência de nossa mercado é baseada na transmissão de conhecimentos do franqueador para o franqueado e o compartilhamento de recursos) cria um negócio que não parte do zero: o franqueado tem acesso a uma marca estabelecida, produtos e serviços desenvolvidos e testados, processos desenhados e uma cadeia de fornecedores e abastecimento já em funcionamento. Isso tudo faz com que a mortalidade de negócios no sistema de franquias seja muito menor (cerca de 4%) em relação a negócios isolados (cerca de 40%).

A que você atribui o crescimento do setor?
Primeiramente, a própria essência do setor. A relação franqueador-franqueado não dá espaço a acomodações. É uma relação em que ambas as partes buscam sempre se desenvolver e, ao menor sinal de dificuldade, tomam ações de saneamento. É o que está ocorrendo agora. Nosso mercado percebeu sinais de desaceleração desde 2013 e vem se preparando para esse momento buscando cortes de custos e ganhos de eficiência. Em uma situação como a que vivemos, uma rede de franquias tem muito mais condições de negociar com fornecedores, buscar alternativas e trocar experiências do que um negócio isolado. Tanto que, em 2015, vimos muitas redes desenvolvendo formatos mais compactos (e, portanto, mais baratos) de lojas, mudanças de fornecedores e mesmo de mix de produtos para se adaptar a atual situação. Além disso, temos que levar em consideração alguns fatores específicos como a depreciação do real, que incentivou o turismo interno, a persistência de alguns hábitos como o de alimentação fora do lar, a busca por qualificação profissional em um mercado de trabalho mais difícil e o consumo de compensação: ou seja, se o consumidor não pode comprar um carro ou fazer uma viagem internacional, ele adquire produtos de beleza ou acessórios pessoais como forma de gratificação. Todos esses fatores contribuíram para o desempenho de nosso setor.

De acordo com a pesquisa da ABF, o setor que mais cresceu foi o de acessórios pessoais e calçados. Existe um motivo para este fato?
Creio que aqui dois fatores foram preponderantes: a subida do dólar diminui as viagens internacionais e tornou mais competitivas as marcas nacionais. Além disso, este é um setor tradicional cuja qualidade e atendimento sempre atraíram o consumidor. O consumo de gratificação em substituição a outros bens mais caros também se aplica a este segmento.

Qual a região que mais cresceu e por que esta região é expressiva?
Notamos que, em termos de número de unidades, houve uma expansão maior em regiões fora do Sul e Sudeste, com especial destaque para cidades com menos de 100 mil habitantes. É o que chamamos de interiorização do franchising. Esse é um movimento relativamente recente no qual as redes buscas mercados com melhores condições de custos, concorrências menos acirrada e um consumidor ávido por marcas conhecidas.

Hoje, no Brasil, são mais de 3 mil franqueadoras. Como a ABF dá assistência a esses empresários?
A missão da ABF é promover e defender o sistema de franchising no Brasil. Fazemos isso de várias formas, desde a pesquisa dos dados do setor, a promoção de eventos, cursos, treinamentos até a defesa do setor junto as mais diversas esferas governamentais. Destaco aqui o nosso curso de pós-graduação para franqueadores, nossas missões internacionais para promover a internacionalização de redes brasileiras e o projeto Franquias Brasil, que está levando conhecimento e orientações básicas sobre o sistema de franchising a 120 cidades, de 19 Estados, de todo o País. Este último projeto visa fomentar novos franqueados e franqueadores e, além de versão presencial, possui um game online gratuito que permite ao empreendedor vivenciar a gestão de uma unidade franqueada.

Para quem gostaria de investir em uma franquia, quais os primeiros passos a serem dados pelo empresário?
O primeiro passo é conhecer profundamente o sistema de franquias que traz muitos benefícios, mas traz também obrigações. Segundo, pesquisar bem o segmento em que se quer ingressar e a rede de interesse. Ter identidade com a área em que se vai atuar é fundamental. Por exemplo, se não aprecio a manipulação de alimentos, como posso administrar uma rede de alimentação? Definido o segmento e a rede, recomendamos que o candidato converse com franquiados e ex-franqueados da rede. Eles são boas fontes de informação sobre o dia a dia da operação. Por fim, antes de fechar o negócio, recomendamos levar o contrato de franquia para a avaliação de um advogado especialista. Isso porque se trata de um contrato de longo prazo como uma série de obrigações de ambos os lados que demanda uma análise em detalhes.



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