Vício em trabalho já era!

26/02/16 10:39
 
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Vício em trabalho já era!

Workaholic foi um termo criado na década de 1990 para designar as pessoas viciadas em trabalho e que por um período foi considerado um status positivo para o profissional, que trazia como principal característica colocar o trabalho à frente de todos outros setores da vida, como família ou lazer. Hoje, contudo, este conceito deixou de ser valorizado, dando lugar aos loveworkers, ou seja, pessoas que amam o trabalho, mas que não sacrificam outras esferas de sua vida em função dele.

Esta mudança, não somente nos termos, mas de mentalidade profissional, onde o stress dá lugar à leveza e à felicidade, se reflete de maneira positiva no ambiente corporativo. Pessoas que amam aquilo que fazem e conseguem voltar atenções também para aquilo que lhe dá prazer além do trabalho se tornam mais produtivas e têm muito mais chance de sucesso do que o workaholic.

Para a especialista em gestão de pessoas, Alessandra Assad, o dinheiro não é consequência de horas de trabalho, mas sim de produtividade efetiva e acredita que a qualidade de vida é essencial para que as pessoas encontrem o seu equilíbrio para produzirem melhor.

Confira a entrevista que a profissional concedeu à Ticket e Gestão sobre o tema.

Qual a diferença entre Workaholic e Loverworker?
Os workaholics são pessoas que trabalham muito e são viciadas nisso. São aqueles que transferem tudo o que tem na vida para o trabalho e se afundam nele. Já os loveworkers são pessoas que amam o trabalho, mas que não sacrificam outras esferas de suas vidas em função dele. São amantes do trabalho, mas não escravos dele.

As pessoas ainda têm orgulho de serem viciadas em trabalho?
Boa parte da Geração X, que foi uma geração praticamente obrigada a se tornar workaholic por questões de sobrevivência, ainda se orgulha de trabalhar muito, do sacrifício, porque entende que isso ainda seja sinônimo de comprometimento. A outra parte desta mesma geração já está cansada,
tentando se adaptar a este novo jeito de se trabalhar muito, porque o fluxo de trabalho não diminuiu, apenas a forma de encará-lo: incluindo o propósito na jornada, e transformando a dor em prazer.

Houve uma mudança corporativa para que as pessoas estejam optando pela qualidade de vida?
Sim. A qualidade de vida ajuda o indivíduo a encontrar o seu ponto de equilíbrio, e é extremamente necessária para que se produza mais e melhor. Já ficou comprovado que muitas horas ininterruptas de trabalho resultam em falta de produtividade. Ou seja, o que era bem visto no passado, como por exemplo, ficar até mais tarde no escritório muitas vezes na semana, hoje é considerado um problema. Sinaliza que você é mais lento que os outros e que não sabe fazer gestão de tempo.

Como manter o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal? Como determinar limites e garantir que estes sejam cumpridos?
É muito difícil. O tempo todo você abre mão de alguma coisa e tem a sensação de que deixou algo para trás. São escolhas da vida, e não adianta pensarmos que não tem preço para tudo, porque tem sim! Estabelecer limites é primordial, por isso é importante estar 100% em cada lugar e fazer tudo com intensidade. Os momentos não voltam. Dividir a família com o trabalho, por exemplo, é difícil, por isso, foi legal aprender que nos poucos momentos que tenho com a família, sou 100% deles. Requer muita, muita disciplina.

E como trabalhar com algo que amamos pode nos beneficiar tanto pessoal quanto profissionalmente?
Trabalhar com algo que amamos alivia em muito o peso da carga. Primeiro, porque nos realizamos lentamente, e isso faz bem para o corpo e para a alma. Segundo, porque aceleramos e melhoramos consideravelmente os resultados positivos. Então, só há ganhos em levar o coração para o trabalho. Quem trabalha feliz, produz muito mais, e contagia o ambiente de trabalho. São profissionais que em possibilidade de chegar muito mais rápido à excelência que os demais, que estão ali muitas vezes sem propósito.

Qual conselho você dá para as pessoas que não amam seus trabalhos?
Pergunte-se o que você mais gosta de fazer e vá em busca daquilo que faz os seus olhos brilharem. É sua obrigação fazer isso: por você, pela sua vida. Não deixe que este vazio domine você, porque a tendência é que ele cresça a cada dia. Uma pessoa frustrada é uma pessoa sem vida, com baixa autoestima, e só você pode mudar este cenário. Não terceirize a culpa, você tem obrigação de ir em busca dos seus sonhos. Esta é o tipo da coisa que absolutamente ninguém fará por você!

E qual conselho você dá para aqueles que ainda são viciados em trabalho?
A vida é muito mais do que isso. Trabalhar é bom e eu de fato também sou viciada. Mas, é preciso estabelecer limites. Se você se sente culpado por estar sem fazer nada num sábado à tarde, por exemplo, este já é um mau sinal. Olhe em volta de você. Vá até a sua janela. Há um sol lindo brilhando lá fora e esperando por você. Aproveite cada minuto. Sinta e curta a vida. Ela é muito curta para deixá-la passar.



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