Desenvolvimento do negócio em jogo

10/02/15 08:30
 
Imprimir esta pagina
Texto 
Desenvolvimento do negócio em jogo

Desenvolver e implementar um código de ética pode não ser uma das tarefas mais simples para as empresas, o que pode desfavorecer o negócio e perder chances de desenvolver profissionais talentosos dentro das equipes. 

Segundo Mario Ernesto Humberg, presidente e consultor sênior da CL-A Comunicações, é preciso ter em mente que, estando em papel ou não, todas as empresas tem um código de conduta. Isso significa que mesmo não consolidado, escrito ou divulgado, os colaboradores acabam adotando os procedimentos mais desejados e quais os valores são efetivamente válidos e praticados pela organização, a partir de donos e gestores. 

Apesar de parecer um processo natural e inofensivo, essa falta de um código de ética e conduta pode vir a representar um problema, interferindo no relacionamento entre líderes e colaboradores, e mesmo entre clientes e fornecedores, por exemplo. “Não ter um código escrito, mesmo que simples, é um complicador para os empregados saberem como proceder, o que muitas vezes gera atitudes inadequadas e atritos desnecessários. 

Para os donos e gestores também, pois eles precisam estar sempre se lembrando das orientações que deram antes para casos similares, o que em geral acaba gerando decisões diferentes e comentários do tipo: nossos chefes cada dia têm outra versão”, destaca Humberg. 

Nas palavras do especialista, em tempos de revelações e crises que ocorrem na Petrobrás mostram que um código de ética ou de conduta só funciona se a direção superior da organização estiver empenhada em respeitá-la, para poder cobrar que seus colaboradores também o façam. 

O problema de não definir um código nasce da insegurança com relação à quais atitudes tomar em determinados casos que possam vir a acontecer na empresa. “Por exemplo, um vendedor pode oferecer uma comissão ao comprador do cliente, por que essa era a prática em sua empresa anterior, mas não é a da atual, embora isto não esteja declarado num código”. 

Na comparação direta entre uma empresa com código de ética definido e uma que não tenha investido ou pensado nisso, a primeira sai ganhando já que desenvolve uma cultura empresarial adequada às necessidades e ambições do empreendimento. Além de facilitar a expansão da empresa e a integração de novos colaboradores, é por meio desta cultura que a empresa consegue atrair profissionais que se adequem aos valores do negócio, conquista clientes e fornecedores mais fieis, facilita negociações e ainda reduz a possibilidade de atitudes e posturas inadequadas, fraudes e desvios. 

Por fim, Humber destaca alguns passos para implementar e desenvolver um código que esteja de acordo com as necessidades e visões da empresa. “No meu livro Programas e Códigos de Ética e Conduta relaciono 8 passos, sendo que os dois últimos se referem ao processo de acompanhamento e atualização”, confira: 

Criação do Comitê de Ética – a decisão e a paternidade do programa precisam necessariamente ser do principal responsável pela empresa: dono (s), presidente, CEO, não importa o nome. A operacionalização deve ser responsabilidade de um Comitê de Ética, que, uma vez tomada a decisão de implantar o Código, precisa ser formado com pessoas de diferentes segmentos da empresa, que sejam respeitadas pelos demais por seu comportamento e atitudes. 

Identificação dos Valores e sua definição: a partir de levantamentos sobre o que se pratica é preciso selecionar o que se vai manter e o que se vai mudar e aí definir os Valores. 

Preparação de um pré-código: escrever o Código para submetê-lo à discussão e avaliação por alguns grupos 

Avaliar opiniões: Ouvir e escutar os questionamentos ao pré-código para poder fazer os ajustes necessários 

Finalizar o código: e aprová-lo com o principal responsável pela empresa ou com o Conselho de Administração se existir 

Implantar o código: realizando reuniões para informar a todos sobre o seu conteúdo e objetivos



Envie seu comentário

AVISO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Portal Ticket e Gestão. É vedada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros.




Contador de páginas